No mundo da fotografia, seja ela analógica ou digital, de nada serve o corpo, por mais profissional/caro que o seja (desde 300 a 3000 euros), se não estiver equipado de um bom conjunto de lentes, ou pelo menos da lente que melhor se adequa a captar da melhor forma o momento que está a viver. A fotografia é isso mesmo, captar o momento, e para isso, nada melhor do que estar preparado para tal.
Esta é a principal razão pelo qual as objectivas do tipo Zoom têm um sucesso extraordinário, pois permitem que consiga ter uma grande cobertura a nível de distância focal. Porém, este tipo de objectivas tem as suas limitações tanto a nível de qualidade de imagem, custos e abertura máxima mais estreita, comparativamente às objectivas de distância focal fixa. Estas são, por norma, as preferidas por muitos fotógrafos profissionais, pois eliminam os problemas ditos anteriormente, tornando-se assim ideais em inúmeras situações, como locais com baixa luminosidade ou onde o objecto seja bastante rápido, como perseguir animais no seu habitat natural.
De entre o extenso catálogo de objectivas de distância focal fixa da Canon, actualmente 18, duas delas distinguem-se facilmente, por serem das mais interessantes, mas também por possuírem a mesma distância focal, a famosíssima 50mm, a mais semelhante à da vista humana. Porém, apesar de existirem três modelos distintos nesta distância, só duas delas estavam disponíveis para este pequeno comparativo, sendo (por sorte) as mais interessantes, a mais acessível EF 50mm f/1.8 II e a topo de gama EF 50mm f/1.2 L USM. Ambas as objectivas conseguem resultados de sonho, mas iremos já verificar qual a que mais se adequa aos seus objectivos e também à sua carteira.
EF 50mm f/1.8 II
Conhecida como sendo a mais leve objectiva EF do mercado, mas também como a mais vendida da marca (muito por culpa do seu reduzido preço que ronda os 90 euros), esta EF tem uma das melhores relações preço/desempenho que poderá encontrar. Repare que fiz referência ao desempenho e não há qualidade, apesar de não estar com isto a afirmar que a qualidade desta objectiva seja má, antes pelo contrário, mas existem alguns pontos menos positivos.

Muito provavelmente por uma questão de redução de custos, esta EF de segunda geração possui um corpo totalmente em plástico, que demonstra uma fragilidade pouco habitual em objectivas da Canon. A juntar-se a esta sensação que, felizmente não passa disso, encontramos um botão de selecção do modo de focagem e um minúsculo anel de focagem de apenas 5mm de espessura na parte frontal da objectiva, que possui uma rosca de 52mm para a colocação de pára-sol e filtros, em especial polarizadores, já que a rosca de encaixe da objectiva não roda durante a focagem.
Também o encaixe (ou baioneta, se preferir) é todo em plástico, o que contribui para a tal sensação frágil, algo que curiosamente não acontecia no modelo original (designado por Mark I), mas contribui também para o seu reduzido peso de apenas 130g, o que a tornam numa objectiva obrigatória para andar sempre consigo na mala da sua máquina.
No que toca à qualidade das lentes utilizadas, esta objectiva utiliza um total de seis lentes do tipo Gaussian em cinco elementos distintos, com cinco lâminas no impressionante diafragma que tem uma abertura máxima de f/1.8, sendo a mínima de f/22.
EF 50mm f/1.2L USM
Esta monstruosa objectiva (580 gramas em vez das parcas 130 da f/1.8) tem a maior abertura existente em qualquer lente EF da Canon, f/1.2. Isto, em conjunto com inúmeros outros pormenores que a Canon incluiu nesta objectiva, permitiram torna-la numa máquina de sonho para quem procura uma objectiva quase perfeita, não só na construção, como no manuseamento e na qualidade das imagens captadas.

Com um corpo pesado, não só pelas lente oito lentes em seis elementos, como pelo próprio corpo que tem encaixes em metal e usa um plástico mais rígido, possui um anel de focagem manual que pode ser utilizado, mesmo que tenha seleccionado a focagem automática.
O facto de se tratar de uma objectiva da gama L significa que estamos perante a utilização de padrões de qualidade de construção das lentes superior. Desenvolvida para o segmento profissional, o seu preço reflecte-se no cuidado do fabrico da objectiva, mas tal como muitos afirmam, a qualidade neste caso justifica e bem o preço pedido.
Utilizando um diafragma de seis lâminas redondas, para garantir um bokeh de fundo circular, possui uma abertura máxima de f/1.2, e mínima de f/16. Não me posso esquecer do facto da Canon ter incluído nesta Objectiva o motor de focagem automático ultra sónico (USM), que permite não só garantir uma focagem rápida, silenciosa e bastante precisa, para além de permitir a focagem manual mesmo quando a focagem automática está activada.
Diferenças de desempenho
Naturalmente que para uma objectiva custar cerca de 100 euros e a outra 1600 euros, a diferença de desempenho entre ambas tem que ser significativa. Porém, a grande diferença entre ambas não se prende fundamentalmente no desempenho, mas sim no modo de funcionamento e, consequentemente, na velocidade.

O modelo EF 50mm f/1.8 consegue oferecer num “pacote” muito acessível uma objectiva com uma qualidade de imagem surpreendentemente boa, registando resultados quase sempre excelentes. Peca porém em alguns pontos onde a versão de f/1.2 consegue lidar sem problemas, como nas dificuldades acrescidas em situações onde a luminosidade tende a ser exageradamente baixa. Apesar de ter uma abertura muito boa, em algumas situações o ponto de focagem que determinamos tende a “fugir” ligeiramente ao desejado, pelo que se recomenda, caso a máquina como no meu caso a EOS 450D, tem LiveView, para ajustar manualmente o ponto de focagem desejado. Claro que este tipo de situação pode ser minimizado se estivermos em estudio, com a máquina montada num tripé, mas em situações do dia a dia, em que temos que usar a máquina na mão, tal procedimento é naturalmente impossível de realizar. Outro ponto menos positivo prende-se com a exagerada sensação de fragilidade que o corpo da lente revela. Isto não significa que estejamos a falar de uma objectiva da “loja dos trezentos”, antes pelo contrário, mas é impossível fugir a essa sensação.
Por fim, resta-me referir a questão do bokeh, que por ter apenas cinco lâminas no diagrafma, o efeito final poderá estar longe do pretendido, para quem goste de trabalhar em retratos, jogando com profundidades de campo.
No que toca à EF 50mm f/1.2L USM, creio que o único ponto negativo é o seu elevado peso e preço, que, no entanto, se justificam se tivermos em conta os resultados obtidos, independentemente das situações onde nos encontrarmos. Recentemente aproveitei esta objectiva para uma reportagem num ginásio, onde as condições de luz eram tudo menos favoráveis, e os resultados conseguiram surpreender-me, mesmo quando eu pensava que as fotos tiradas estariam bem longe do que eu gostaria. Um pormenor que me deixa sempre muito agradado é o facto de mesmo quando temos escolhida a focagem automática, conseguimos efectuar pequenos ajustes manualmente, algo impossível no modelo de f/1.8.

Assim sendo, se procura uma objectiva ideal para situações de pouca luminosidade, ou para retirar retratos com a máxima qualidade de imagem possível na sua Canon EOS digital, qualquer uma destas objectivas EF devem ser consideradas. O modelo 1.8 deveria de ser uma compra obrigatória para qualquer EOS DSLR digital, pelo que a versão mais cara se limita a uma utilização mais profissional que requer um equipamento sempre pronto a trabalhar, bem, em qualquer condição.
Canon – www.canon.pt – 214 704 000
EF 50mm f/1.8 II – 100€
Pontuação – 90%
EF 50mm f/1.2L USM – 1600€
Pontuação – 95%



