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02
Jul
Escrito por Bruno Fonseca
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Habitualmente encontra na Review uma análise a um telemóvel, a um novo processador, a um computador portátil ou até mesmo a um televisor LED de alta definição. Esta semana decidi ser diferente, decidi falar em algo que praticamente todos nós utilizamos no dia-a-dia, mas que poucas vezes nos apercebemos de toda a tecnologia no seu interior. Melhor ainda, decidi, graças à colaboração da Honda Portugal, experimentar o novíssimo CR-Z, o primeiro híbrido desportivo da marca que, como seria de esperar, está carregadinho de tecnologia, e é sobre esse prisma que vos irei falar deste pequeno coupé.

Raízes históricas

Durante a minha infância, fui de certa forma incentivado a adorar o mundo automóvel devido à profissão do meu pai, que esteve toda a sua vida profissional ligado à Volkswagen em Portugal. Porém, a minha adoração por automóveis não era um exclusivo dessa marca, pois era frequente eu sonhar estar ao volante de um Alfa Romeo 155 nas competições do DTM ou num Lancia Delta Integralle ou Audi Quattro no WRC. Naturalmente que como qualquer criança com aquela idade, havia muitos outros automóveis nas estradas que me fascinavam, como o pequeno Honda CR-X que tantos adeptos teve naquela época, e que ainda hoje em dia circulam nas nossas estradas, apesar de muitas vezes já terem sido vítimas de autênticos atentados de mau gosto por parte dos seus donos.

Este pequeno coupé desportivo da Honda já na altura demonstrava a importância que a tecnologia tinha para a marca e para os seus modelos, pois apesar de todo o seu cariz desportivo, o CR-X tinha como consumo misto combinado um valor aproximado aos 5 litros aos 100kms, valor esse que ainda hoje muitos fabricantes tentam atingir com os seus motores ultra-modernos. Como forma homenagear esse pequeno desportivo económico, e aproveitando o que de melhor se tem feito a nível de tecnologia híbrida, eis o novo CR-Z, o primeiro híbrido desportivo do mundo com caixa manual de seis velocidades.

Chassis apelativo

A comparação estética entre os modelos é óbvia, apesar dos 27 anos de diferença entre as datas de lançamento, porém as tecnologias usadas para a criação do desenho, os compostos usados e o próprio fabrico sofreu fortes alterações. Actualmente, toda a criação de desenho de automóveis é realizada através do computador, em aplicações CAD e de renderização em 3D, que permite a introdução de pequenas alterações estéticas sem a necessidade de criação de novos moldes de grandes dimensões, que envolvia sempre enormes custos. Mas não estou a falar somente na criação do chassis do automóvel, ou seja, do desenho exterior, pois também o interior e os próprios motores são desenhados por computador.

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No caso deste CR-Z, o chassis, para quem gosta de uma condução mais divertida e agressiva, ficará satisfeito por encontrar um chassis que apesar de derivado do Insight (outro modelo híbrido da marca), conta com uma distância entre eixos reduzida em 115mm, e uma largura de eixos aumentada em 20mm na dianteira e 25mm na traseira, que lhe garantem um excelente comportamento dinâmico. Não é propriamente um S2000 ou um Type-R, mas o novo sistema de torres de suspensão dianteira e a nova suspensão traseira em H garantem-lhe um centro de massa inferior ao do Type-R, daí o seu comportamento dinâmico, e enorme coeficiente aerodinâmico, que lhe contribui igualmente para baixos consumos e emissões de CO2.

Nave espacial

Assim que nos sentamos (após algum esforço para pessoas menos jovens) nos excelentes estofos em formato de bacquet, deparamo-nos com um painel frontal lindíssimo, que quase nos dá a entender estarmos perante os comandos da USS Enterprise, tal é a disposição não só de todos os comandos, como o aspecto futuristico e espacial de todos os mostradores. Esta disposição inicialmente causará um impacto visual muito agradável, mas requer um período de adaptação mais prolongado do que o habitual. No centro de toda a atenção encontramos três secções do mostrador, onde predomina a zona central com o velocímetro digital e o conta-rotações analógico, que muda de cor de acordo com o modo de condução escolhido.

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No lado direito encontram-se as informações sobre o nível de combustível no depósito, o consumo instantâneo e médio, e o tradicional computador de bordo com a indicação dos quilómetros percorridos, o tempo e a velocidade média da viagem. No lado esquerdo, por sua vez, encontramos todas as informações sobre o sistema eléctrico, ou seja, qual a autonomia das baterias, e qual a utilização das mesmas, ou seja, se estão a ser carregadas ou se estão em uso, para auxiliar o motor de combustão.

Modos de condução

No lado esquerdo dos mostradores, encontram-se três botões que determinam qual o modo de condução que deseja realizar, ou seja, se pretende um veículo calmo e pacífico, que privilegie o conforto e o baixo consumo, se deseja uma condução mais tradicional ou se, tal como eu, prefere uma resposta mais rápida e directa, revelando o lado desportivo deste CR-Z.

Caso escolha o modo ecológico, terá no computador de bordo o sistema de pontuação ecológica, ou seja, será atribuído uma pontuação, em forma de árvores, que lhe indicam até que ponto tem estado a realizar uma condução económica e amiga do ambiente. Isto implica, naturalmente, que evite ao máximo acelerações e travagens bruscas.

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No modo Sport, por sua vez, o CR-Z muda imediatamente de comportamento, sendo essa alteração sentida imediatamente na sonoridade produzida pelo escape, graças ao ligeiro aumento do ralenti, que permite assim uma resposta imediata a qualquer solicitação do acelerador. É também neste caso que o motor eléctrico (IMA- Integrated Motor Assist) entra mais vezes em acção, actuando como uma espécie de compressor volumétrico, permitindo assim, logo a partir das 1000rpm, auxiliar o motor de combustão com o valor de binário máximo, ou seja, quando o motor demonstra ter a força máxima.

Tecnologia Híbrida

O grande destaque deste CR-Z é sem sombra de dúvidas o motor, pois apesar de no fundo ser um motor de combustão, tem acoplado um sistema eléctrico que o auxilia nas situações mais críticas, como os arranques ou nas recuperações. No que toca ao bloco em si, este é o modelo utilizado pelo Honda Jazz utilizado nos Estados Unidos, ou seja, é um i-VTEC de 1,5 litros de quatro válvulas por cilindro, com 114cv de potência e 145NM de binário, mas que com a ajuda do sistema eléctrico, consegue aumentar essa potência para uns interessantes 124cv e 174Nm.

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No fundo o sistema eléctrico encontra-se colocado entre o motor e a caixa de velocidades (manual e de 6 velocidades), e tem um aspecto de uma bobine gigante. O seu funcionamento assemelha-se a do alternador, pois sempre que o motor de combustão não necessite de ajuda, este começa imediatamente a recarregar as baterias do carro. O seu papel é fundamental para o sistema Start & Stop (sistema que desliga o carro sempre que este para por um período prolongado, como num sinal de transito), pois devido à sua localização, é este sistema que permite ligar imediatamente o motor sempre que precisamos de arrancar. Ao contrário do que acontece com o sistema utilizado pelo Prius da Toyota, o IMA nunca funciona separadamente do motor de combustão, ou seja, o CR-Z (nem os restantes modelos híbridos da Honda) utilizam exclusivamente o motor eléctrico.

Com tudo isto, o Honda CR-Z é o veículo mais avançado tecnologicamente que tive oportunidade de testar e, apesar de ser totalmente diferente do que habitualmente falo nesta secção (daí não atribuir uma pontuação), creio que se insere na perfeição pois é como se fosse uma montra tecnológica do que poderão vir a ser os automóveis do futuro, graças à utilização de todas as tecnologias actualmente existentes no mundo automóvel.

Desde 21 650€ * Honda Portugal - www.honda.pt
 

Gustavo Dias

 

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